Pediatras e Psiquiatras devem saber sobre esse problema
Inicialmente, é fundamental compreender que a exposição precoce às telas não é mais episódica, mas estrutural. O estudo americano “
, envolvendo mais de 10.200 crianças e adolescentes, demonstra que a posse de smartphones ocorre cada vez mais cedo, frequentemente antes dos 11 anos. Esse dado desloca o debate do “quanto tempo de tela” para “em que fase do neurodesenvolvimento a criança passa a interagir com estímulos digitais contínuos”.
Início precoce do smartphone associa-se a sintomas emocionais e dificuldades atencionais
Em segundo lugar, do ponto de vista psiquiátrico e pediátrico, o achado mais relevante não é apenas a presença do dispositivo, mas sua associação com desfechos emocionais e comportamentais. O estudo aponta correlação entre início precoce do uso de smartphones e maior prevalência de sintomas internalizantes, dificuldades atencionais e pior regulação emocional. Em cérebros ainda em maturação, a exposição contínua a estímulos dopaminérgicos pode interferir no desenvolvimento de circuitos relacionados a autocontrole, tolerância à frustração e interação social.
Orientar, adiar e mediar: o papel clínico de pediatras e psiquiatras diante das telas
Por fim, sob a perspectiva clínica, pediatras e psiquiatras ocupam posição estratégica na orientação familiar e na prevenção primária. Mais do que proibir telas, a evidência sugere a necessidade de estabelecer limites claros, mediação ativa dos pais e, sobretudo, atraso consciente da posse do smartphone individual. Incorporar essa discussão nas consultas de rotina, avaliações de desenvolvimento e atendimentos em saúde mental deixa de ser opcional e passa a ser parte essencial da prática baseada em evidências.
Assista o podcast completo com o resumo do artigo e reflexões do @medicineme.psiq